Em algum lugar
Depois de uma terrível noite inventando fábulas para ao menos tentar me divertir, enverguei. Mais uma vez. Essa redundância de dias mal dormidos têm me deixado mal. Estrelo sempre o mesmo papel e sigo o mesmo roteiro. Injeto as ilícitas no meu corpo, o testo. A sensação de estar sendo dilacerada é fascinante. Sempre acho que não vou estar na página seguinte para contar história! Mas lá estou, no canto debaixo da folha, vendo o infinito branco logo acima. Literalmente. Minha cabeça está turva, só enxergo objetos incolores quando não manchados (e por incrível que pareça, até emana uma ótica artística) Nem ao menos tatear eu consigo, a impressão que tenho é que coisas ridículas e inimagináveis param em minha frente para testar meu senso de humor. E quase sempre acabo tropeçando, isso me deixa deveras puta.
Saindo, aquele sol das sete da madrugada parecia mais forte que o diabo. O brilho era tão intenso que mal conseguia enxergar um dedo. Comecei a andar, que desastre. Dava aulas de valsa à luz do dia. Patética eu. Será que ao menos alguém me tiraria para dançar? Em plena manhã?
Entro na rua das árvores. Maravilha. Quase nenhum carro, quase nenhum respiro. Apenas uma borboleta. Amarela, feinha. Apenas não tinha a noção de quantos passos ela estava de mim. Mas sentia que chegava perto, e me encantava. Feliz ela de voar livremente e nem precisar de uma dose de heroína para tal feito! Heroína, era isso que ela era, uma heroína. Que inveja! Será que ela não me tira para dançar?
